DISPUTATIO


 A posição apresentada por Rubens Ricúoero é bastante interessante e o Brasil precisa tomar medidas decisivas de coibição e preservação da floresta amzônica.

SN

 No terreno diplomático, pesa-me dizê-lo, recaiu-se na "síndrome de Estocolmo": o problema é grave, pode acabar com a Terra, mas, não sendo os responsáveis históricos, não temos nada com isso. Aos ricos é que compete cumprir metas obrigatórias de emissão. Nós, assim como os bilhões de chineses e indianos, isto é, nós e as torcidas somadas do Flamengo e do Corinthians, só faremos o que nos der na gana. É uma caricatura, mas não está longe da verdade.
O problema é que não dá mais para alegar inocência. Discute-se qual é o grau exato de responsabilidade das queimadas na Amazônia na emissão de dióxido de carbono. Em termos globais, não há dúvida de que a responsabilidade brasileira é significativa e que é a primeira no efeito direto das queimadas.
De todo modo, o Brasil será uma das principais vítimas do aquecimento de 3C a 5C na Amazônia e de 2C a 4C no Nordeste: savanização ou destruição da floresta, desertificação da caatinga, perda de espécies, mudanças nas chuvas no centro-sul, com impacto na competitividade agrícola, inundação de áreas baixas no Pará, no Nordeste, no resto da costa.
O lucro de incluir o desmatamento como peça central do futuro protocolo iria muito mais para o Brasil do que para o mundo. Quem, de fato, ganharia tanto quanto nós se, ao protegermos a imensa riqueza amazônica de acordo com nosso próprio interesse, ainda por cima fôssemos pagos sob a forma de créditos de carbono?



Escrito por Sergio Nunes às 12h05
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